Advogado e engenheiro na regularização: quem faz o quê

Regularizar um imóvel envolve dois mundos: o jurídico e o técnico. Quando os dois profissionais trabalham juntos desde o início, o processo anda. Quando um tenta fazer a parte do outro, aparecem as exigências, os atrasos e os retrabalhos. Este artigo organiza essa divisão.

O que é do advogado

- Analisar a cadeia de títulos e a situação jurídica do imóvel.

- Definir a estratégia: usucapião, retificação, adjudicação, inventário, REURB ou outro caminho.

- Reunir as provas de posse e de propriedade.

- Redigir e conduzir os pedidos no cartório e na Justiça.

- Negociar com confrontantes, herdeiros e demais interessados.

- Responder a impugnações.

O que é do engenheiro

- Levantamento de campo do terreno e das construções (ABNT NBR 13133).

- Planta, memorial descritivo e ART.

- Comparação entre matrícula, cadastro da prefeitura e realidade.

- Projeto legal e aprovação na prefeitura, quando há construção a regularizar.

- Laudo técnico de caracterização, de idade das construções ou de avaliação (ABNT NBR 14653).

- Atendimento às exigências técnicas do cartório e da prefeitura.

- Assistência técnica em perícias judiciais.

Onde os dois se encontram

Usucapião — Advogado: Modalidade, provas da posse, condução do pedido; Engenheiro: Planta, memorial, ART e laudo

Retificação de área (Lei 6.015/1973, art. 213) — Advogado: Pedido e anuência dos confrontantes; Engenheiro: Levantamento e nova descrição

Averbação de construção — Advogado: Pendências jurídicas no cartório; Engenheiro: Projeto, habite-se e documentação técnica

Inventário com imóvel irregular — Advogado: Partilha e condução do inventário; Engenheiro: Diagnóstico e regularização do imóvel

REURB (Lei 13.465/2017) — Advogado: Instrução jurídica do processo; Engenheiro: Levantamentos e projetos

Disputa de divisa — Advogado: Ação e estratégia processual; Engenheiro: Laudo e assistência técnica

Os erros mais comuns

1. Começar pelo cartório sem diagnóstico técnico. O pedido volta com exigências que poderiam ser previstas.

2. Usar planta antiga ou de terceiros. Medidas que não conferem com a realidade geram sobreposições e impugnações.

3. Escolher a modalidade de usucapião sem a área medida. A área real pode inviabilizar uma modalidade.

4. Contratar o engenheiro só no fim. Quando a parte técnica entra tarde, as correções atrasam o processo.

Como organizar o trabalho

- Reunião inicial com o cliente, o advogado e o engenheiro.

- Diagnóstico técnico e jurídico em paralelo.

- Definição da estratégia com base nos dois diagnósticos.

- Cronograma com responsabilidades claras.

- Canal único de comunicação com o cliente.

Para o passo a passo da parte técnica, leia "Habite-se e averbação da construção: o caminho técnico" e "Usucapião extrajudicial: o papel do engenheiro passo a passo".

Conclusão

A regularização de um imóvel é um trabalho de equipe. O advogado define o caminho, o engenheiro prova o que é o imóvel. Quando cada um faz a sua parte desde o começo, o cliente economiza tempo e dinheiro.

Próximo passo

Escritórios de advocacia: conheça o nosso serviço de regularização de imóveis e o de laudo técnico para usucapião.