Prédio à beira-mar: por que a fachada deteriora mais rápido

Morar de frente para o mar tem preço, e não só na compra. As fachadas dos prédios da orla de Vitória, Vila Velha e Serra se degradam mais rápido do que as de prédios a poucos quilômetros dali. A causa é conhecida, e a solução passa por manutenção diferente e retrofit pensado para esse ambiente.

O ambiente marinho é classificado como agressivo

A ABNT NBR 6118 classifica os ambientes em classes de agressividade ambiental. O ambiente marinho está entre os mais agressivos para o concreto, e a norma exige, para ele, cobrimentos maiores e concreto de melhor qualidade. Prédios antigos foram construídos com exigências menores do que as atuais, e é aí que começa o problema.

Os quatro agentes que aceleram a degradação

1. Cloretos da maresia. Os sais trazidos pelo vento se depositam na fachada e penetram no concreto. Quando chegam à armadura, destroem a camada que protege o aço e iniciam a corrosão.

2. Umidade constante. A umidade alta mantém os poros do concreto e da argamassa úmidos, o que facilita a corrosão e a degradação dos materiais.

3. Radiação solar intensa. O sol degrada selantes, rejuntes e pinturas, e provoca dilatação e contração diárias das fachadas, que cansam a aderência dos revestimentos.

4. Vento e chuva dirigida. A chuva com vento forte entra por fissuras, juntas e esquadrias, levando água e sais para dentro dos elementos.

Onde o dano aparece primeiro

- Bordas de laje e vigas de varanda: as mais expostas e, muitas vezes, com o menor cobrimento.

- Marquises e elementos em balanço.

- Juntas e selantes das fachadas voltadas para o mar.

- Revestimentos cerâmicos e pastilhas, com perda de aderência.

- Esquadrias de alumínio e ferragens, com corrosão.

- Guarda-corpos metálicos e seus chumbadores.

O que muda na manutenção

- Inspeções mais frequentes. A ABNT NBR 5674 orienta a definir a periodicidade conforme as condições de exposição. Na orla, os intervalos devem ser menores.

- Lavagem periódica da fachada, para remover depósitos de sal.

- Troca de selantes antes de falharem, e não depois da infiltração.

- Atenção às fachadas voltadas para o mar, que costumam degradar primeiro.

O que muda no retrofit

Um retrofit na orla não pode ser só pintura e troca de pastilhas. Ele precisa:

- Mapear e tratar a corrosão das armaduras, com remoção do concreto contaminado.

- Usar argamassas de reparo e sistemas de proteção adequados ao ambiente marinho.

- Recompor cobrimentos, quando possível.

- Especificar selantes, rejuntes e revestimentos compatíveis com a exposição.

- Prever juntas de movimentação adequadas.

Retrofit que trata só a aparência dura pouco. A corrosão continua por baixo e volta a romper o acabamento em poucos anos.

Ensaios que fazem diferença na orla

Profundidade de carbonatação, teor de cloretos e pacometria mostram até onde o concreto está contaminado e quanto de proteção ainda resta para a armadura. Leia "Esclerometria, pacometria e carbonatação: o que cada ensaio prova".

Conclusão

O prédio à beira-mar não está condenado a se degradar, mas precisa de um plano de manutenção e de um retrofit pensados para o ambiente em que está. O custo de ignorar isso aparece nas marquises e nas varandas.

Veja também "As 7 patologias mais comuns nos prédios da Grande Vitória".

Próximo passo

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