Esclerometria, pacometria e carbonatação: o que cada ensaio prova

Quando um laudo estrutural chega ao conselho do condomínio, a lista de ensaios costuma assustar: esclerometria, pacometria, carbonatação, testemunhos. Parecem custos extras. Na verdade, são eles que separam um diagnóstico de uma opinião. Este artigo explica o que cada ensaio mede, quando ele é necessário e o que ele prova.

Por que ensaiar se dá para ver o problema

A inspeção visual mostra o sintoma: a fissura, a mancha de ferrugem, o concreto solto. Ela não mostra a extensão do problema nem a causa. Dois pilares com a mesma fissura podem ter situações muito diferentes: um com corrosão localizada e outro com concreto carbonatado em toda a profundidade do cobrimento. O ensaio define o tamanho real do problema, e é isso que define o tamanho da obra.

Esclerometria (ABNT NBR 7584)

O que é: um equipamento chamado esclerômetro dá um impacto na superfície do concreto e mede o recuo da massa. Quanto maior o recuo, mais duro é o concreto na superfície.

O que prova: a uniformidade do concreto e uma estimativa da resistência superficial. Ajuda a identificar regiões de concreto mais fraco ou mais degradado.

Limites: mede só a superfície. Não substitui a extração de testemunhos quando é preciso saber a resistência real.

Quando usar: para mapear grandes áreas de forma rápida e escolher os pontos onde vale a pena extrair testemunhos.

Pacometria

O que é: um equipamento eletromagnético localiza as barras de aço dentro do concreto sem quebrar nada.

O que prova: onde estão as armaduras, o espaçamento entre elas e, principalmente, a espessura do cobrimento, que é a camada de concreto que protege o aço.

Por que importa: cobrimento insuficiente é uma das causas mais comuns de corrosão em prédios antigos. A ABNT NBR 6118 define cobrimentos mínimos conforme a agressividade do ambiente, e o ambiente marinho está entre os mais agressivos.

Quando usar: sempre que há suspeita de corrosão e antes de qualquer furo ou extração, para não cortar armadura.

Profundidade de carbonatação

O que é: um indicador químico (fenolftaleína) é aplicado no concreto recém-exposto. A parte que fica rosada ainda está alcalina. A parte incolor está carbonatada.

O que prova: até onde o gás carbônico do ar já reduziu a alcalinidade do concreto. Enquanto o concreto ao redor do aço está alcalino, a armadura fica protegida. Quando a carbonatação alcança a armadura, a proteção acaba e a corrosão pode começar.

Como ler junto com a pacometria: se a carbonatação está a 25 mm de profundidade e o cobrimento medido é de 15 mm, a armadura já está desprotegida. Esse cruzamento é o que mais ajuda a prever onde a corrosão vai aparecer.

Extração de testemunhos (ABNT NBR 7680)

O que é: um cilindro de concreto é retirado da estrutura com uma serra-copo e ensaiado em laboratório.

O que prova: a resistência real do concreto à compressão. É o ensaio de referência quando há dúvida sobre a capacidade da estrutura ou quando o laudo vai embasar um projeto de reforço.

Cuidados: os pontos são escolhidos com base na esclerometria e na pacometria, e o furo é recomposto com material adequado.

Outros ensaios que podem entrar no laudo

- Teor de cloretos: mede a contaminação do concreto por sais, comum na orla.

- Potencial de corrosão: indica regiões com maior probabilidade de corrosão ativa.

- Ultrassom: avalia a homogeneidade e a presença de vazios internos.

Quanto custa não ensaiar

Um retrofit sem ensaio tende a errar para um dos lados. Ou trata pouco, e a corrosão volta em poucos anos, ou trata demais, e o condomínio paga por recuperação de áreas que estavam sadias. O ensaio custa uma fração da obra e define o escopo com precisão.

Conclusão

Ensaio não é luxo de laudo caro. É a prova técnica de que o diagnóstico está certo. Antes de aprovar uma obra estrutural, pergunte quais ensaios sustentam o escopo.

Para saber em que situações o condomínio precisa do laudo, leia "Laudo estrutural: quando o condomínio é obrigado a fazer".

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